domingo, 12 de setembro de 2010

Onde está a oposição?

Na condição de observadora do quadro político atual, em que os candidatos se apresentam “maquiados”, mostrando apenas o que consideram o melhor de si mesmos, tenho algumas observações a fazer.

Desde já esclareço que não pretendo fazer nenhuma afirmação incontestável, muito menos dar lições, quero somente fazer um desabafo.

Pena que o candidato José Serra, tão à frente nas pesquisas de opinião antes do início da campanha, não tenha aproveitado o seu longo tempo de indefinição para firmar-se como oposição, estruturar seu programa, definir suas propostas e aglutinar o seu partido.

Deitado em berço esplêndido deixou passar o cavalo selado. Sua candidatura nasceu morna, parece imposta, sem envolvimento do candidato nem do seu partido. Um exemplo disso foi a escolha do vice. Quanto desgaste, quanta perda de energia, quanto improviso!

Abriram-se as cortinas e o principal opositor do governo se apresenta com um discurso fraco, um sorriso amarelo, discrepante de sua imagem e história de vida pessoal e pública. Onde está o líder estudantil, Secretário de Estado, Senador, o Ministro, o Prefeito, o Governador José Serra? Pretenderam dar vida a um “Zé” que ninguém conhece. Se a imagem pública é de circunspecção, não adianta querer impor um sorriso quase de máscara a quem não tem o hábito de sorrir. A imagem consolidada ao longo da vida era de austeridade. Era pouco?!

De outro lado surge a candidatura da situação, construída a partir de uma escolha pessoal do presidente, marcada pela total ausência de elementos reais e/ou comprovação da condição da ex-ministra para responder pela presidência do país, com todos os desafios que são inerentes ao cargo. Alias, tal escolha de Lula se deu por conta da falta de um candidato do “núcleo duro” do PT, já que os candidatos naturais estavam comprometidos por comportamentos pouco recomendáveis, para não dizer delinqüentes. Mas a obra está feita, construída e firmada sem contestação, sem qualquer oposição, nem dentro nem fora do PT, consolidada graças ao mito Lula.

Penso que a candidata é fraca, se assim não fosse não precisaria de blindagem. Todavia, o mais lamentável é a fragilidade do principal partido da dita oposição, cujos membros parecem não ter objetivos comuns nem consciência do momento em que vivemos. A ambigüidade do PSDB deixa atônito o eleitor. Em nenhum momento Serra ou qualquer outro membro do PSDB confronta o mito Lula. Ao contrário, houve oportunidade em que se tentou abrigar Serra sob as asas de Lula, como que resignado mais parecendo candidato a algum posto de confiança no próximo governo do PT.

E olha que Serra nem se indignou, de forma convincente, na escandalosa questão da quebra de sigilo fiscal de membros da sua família e da alta cúpula do PSDB. Assistimos, estupefatos, no horário eleitoral do PSDB um amontoado de frases elogiosas sobre a vida e liderança de Lula, numa vã tentativa de usurpar um pouco da força do seu mito. Simplesmente ridículo.

Ora, este não é o seu papel, candidato Serra. A sua ambigüidade não nos faz identificá-lo como oposição a todos os absurdos, ilegalidades, mentiras e subornos numa sociedade subjugada às ordens de um presidente. Por quê? Qual é a resposta que o eleitorado de oposição espera?Tanta ambigüidade impede de lhe confiar o seu voto.

Lamentável, como a derrota é boa mestra, só espero que esta seja uma grande lição.

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